Fazer do futebol bom negócio

” Fazer do futebol bom negócio

Assumi o desafio de dirigir o Fluminense Football Club como executivo há pouco mais de três meses, e logo me avisaram que os anos no futebol são “caninos”. Cada um vale por sete!

Comprovei que é pura verdade. Parece que já estou aqui há mais de um ano. Nesse pequeno tempo, já ganhamos, já perdemos, já empatamos, já sorrimos, já choramos, já compramos, já vendemos, já discutimos e já abraçamos!

A montanha-russa de resultados às quartas-feiras e aos domingos nos leva do céu ao inferno toda semana. Como me antecipou o Mestre Parreira, tudo vai depender de a bola entrar ou não.

Diferentemente de todos que torciam para o Time Brasil nos esportes olímpicos, nos clubes de futebol a torcida é paixão, é amor declarado pelas cores do time do coração, onde perder dói! A torcida é sempre o grande patrimônio dos clubes.

Os vários milhões de torcedores são o verdadeiro carro-chefe que leva um time a lutar por cada vitória.

Muito dinheiro mas pouco dinheiro! Isso me impressionou no futebol. Vamos chegar a um faturamento somado dos clubes brasileiros da série A de mais de R$ 5 bilhões em 2017, mas as despesas do dia a dia do futebol são milionárias. Mesmo fazendo parte de um mercado gigante, os clubes estão sempre dependendo de receitas não correntes, como venda de jogadores e antecipações de cotas de TV para equilibrar seus orçamentos — razão primordial para que todos sigam o caminho do profissionalismo imediato.

Encontrei nos clubes lindos projetos de descoberta de talentos, onde desenvolvem as novas gerações da seleção brasileira. Está lá a base de independência financeira para o futuro.

Muitos acreditam também que, com estádio próprio e inovação, podem conjugar esporte e negócios. Ter a sua casa já se mostrou, pelos exemplos do mundo afora, a ferramenta fundamental para a perenidade de qualquer clube para os próximos 50 anos.

E, com o censo das torcidas, poderão saber mais do que apenas o perfil (nome, CPF, endereço e data de nascimento) do seu público-alvo, mas sim conhecer a persona. Será possível assim analisar detalhadamente, por exemplo, os hábitos de consumo e costumes de presença nos estádios.

Portanto, devemos sim encarar o futebol como uma atividade econômica de entretenimento.

Logo, meu desafio, que parecia um mar revolto, aos poucos vai mostrando seus dias de maré calma, pois posso contar com um líder na presidência, uma equipe profissional de executivos, um time de guerreiros e uma torcida extremamente apaixonada. ”

Marcus Vinicius Freire é diretor-executivo geral do Fluminense

fonte: Jornal O Globo
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